quarta-feira, 12 de setembro de 2007

MEMÓRIA

Mesmo quando o samba já se urbanizava com os cordões carnavalescos, os sambistas da cidade, negros e imigrantes, que viviam nas regiões pobres da cidade de São Paulo, voltavam uma vez por ano para São Bom Jesus de Pirapora para encontrar grupos vindos do interior, de cidades como Tietê, Capivari, Campinas e Piracicaba.

"Eu era menino Mamãe disse vamo emboraVocê vai ser batizado no samba de Pirapora"

Trecho de Samba de Pirapora, de Geraldo Filme

Nesses encontros ocorriam acirradas disputas de sambas, feitos de improviso. Simson acredita que nessas ocasiões os paulistanos alimentavam suas raízes e tradições afro-rurais que levavam de volta para a cidade, onde criavam novos sambas para os cordões do carnaval. O samba de roda se tornou uma manifestação cultural tão importante que chegou a influenciar o compositor erudito campineiro Carlos Gomes. Ele compôs uma peça intitulada Quilombo, Quadrilha Brasileira sobre os Motivos dos Negros. A peça está subdividida em cinco partes: Cayumba, Bananeira, Quingobo, Bamboula e Final.
Nos anos 40 e 50 do século XX, vários cordões já estavam estabelecidos no carnaval paulistano, como o Vai-Vai e o Camisa Verde e Branco, importantes escolas de samba da atualidade. Entretanto, fazer samba era viver no limite entre a legalidade e a marginalidade. Os desfiles nos cordões, cheios de evoluções para agradar o público, ocorriam sob permissão cuidadosamente negociada com a polícia.


"Mandei preparar o terreiro que já vem chegando o dia Eu vou encorar meu pandeiro preparar pra folia Quando começar o pagode pego o pandeiro caio na orgia No dizer de minha avó sambador não tem valia Samba nunca deu camisa minha avó sempre dizia Sambador não vale nada dorme na calçada não cuida da família Quando começar o pagode pego o pandeiro caio na orgia"

Letra de Quando começar o Pagode, de Toniquinho Batuqueiro


TEMA DA PALESTRA REALIZADA NA UNICAMP, POR Olga von Simson, ESPECIALISTA EM SAMBA DE SP.

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